Você já pensou em trabalhar com games? Esse é o momento certo! O interesse em jogos, em especial os digitais, é cada vez maior. De acordo com a Pesquisa Game Brasil, 73,4% dos brasileiros jogam games eletrônicos. Com essa popularidade, é de se esperar que cada vez mais gente resolva trabalhar nessa área, que cresce junto com seu público. Só de 2014 a 2018, o número de desenvolvedoras de games passou de 142 para 375, isto é, aumentou em 164%. Com o mercado de jogos em crescimento, há cada vez mais oportunidades para se inserir nele.

Contudo, simplesmente saber disso não é o suficiente. É importante saber também onde encontrar essas oportunidades e o que é preciso fazer para aproveitá-las. Por isso, preparamos esse texto para explicar melhor como funciona o mercado de trabalho na área de games.

O QUE É O MERCADO DE JOGOS?

O mercado de jogos digitais é o setor econômico que compreende o desenvolvimento e a monetização de games, desde a produção até a pós-venda. É relativamente novo, tendo se estabelecido na década de 70, mas seu crescimento é surpreendente. Atualmente, emprega milhares de pessoas com diferentes profissões em todo o mundo, de publicitários a programadores.

Dado seu tamanho, podemos dividi-lo em 6 segmentos inter-relacionados: Financeiro e Publicador, Produção e Talento, Produção e Ferramental, Distribuição (ou Publishing), Hardware e, por fim, Usuário Final.

Jogadora em torneio de games

Jogadora disputando no Brasil Game Show (Fonte: Portal Roma News)

Segmentos do mercado

Normalmente, quando falamos em trabalhar com jogos, pensamos somente no setor de Produção e Talento, mas a realidade é que esse mercado é muito maior do que parece. Se acompanharmos o processo de um jogo, a função de cada segmento fica clara.

  • Financeiro e Publicador: nesse primeiro setor estão as empresas que financiarão e publicarão um jogo. Elas contratam outras empresas para desenvolvê-lo e lidam com o licenciamento do produto. A contratada é parte do segundo setor, Produção e Talento.
  • Produção e Talento: nele ocorre o desenvolvimento do jogo em si e é onde encontramos os programadores, artistas, designers, etc. Durante esse processo de criação, os profissionais se utilizam de diversas ferramentas, como engines, softwares de edição e programas de gerenciamento de produção.
  • Produção e Ferramental: são as empresas responsáveis por essas ferramentas que o setor de Produção e Talento utiliza.
  • Distribuição: com o jogo feito, é preciso publicá-lo e distribuí-lo. Isso é feito através do setor Distribuição. Nele incluímos todos os negócios, sejam digitais – empresas como Steam ou ClickJogos – ou físicos – pequenas lojas locais.
  • Hardware: para rodar os jogos, precisamos do setor Hardware. Também chamado de Plataforma, neste quinto setor estão as empresas responsáveis não só por plataformas como computadores ou consoles, mas também por providenciar uma infraestrutura geral, como sites de streaming ou máquinas virtuais.
  • Usuário final: por fim, temos o próprio jogador, o Usuário Final, que é o foco do mercado de jogos.

Considerando todos os setores, vemos que o alcance da indústria é impressionante. Só em 2019, a indústria de jogos eletrônicos movimentou mais de 152 bilhões de dólares. O potencial da área é enorme e as pessoas estão percebendo isso cada vez mais.

Criação de um personagem de jogo digital

Processo de criação de personagens no jogo League of Legends. (Fonte: Multiverso+)

COMO É O MERCADO DE JOGOS NO BRASIL?

A influência do Brasil no mercado de jogos internacional está cada vez maior. De acordo com um estudo do BNDES, em 2010 a América Latina ocupava 2% do mercado mundial de jogos. Pode parecer pouco, mas, em 2019, a Newzoo já colocava esse número em 4%, dobrando a quantia da década anterior.

Considerando o Brasil sozinho, os números ficam ainda mais impressionantes. Ao fazer um levantamento do faturamento atual de cada país, a Newzoo nos classificou como o 13º maior mercado de games do mundo. E não é só isso. O organizador da Brasil Game Show, Marcelo Tavares, afirmou que temos a 3ª maior população gamer do planeta.

Campeonato de jogos no Brasil

Final do campeonato brasileiro de Rainbow 6 na GameXP 2019 (Fonte: Globo Esporte)

Apesar disso, nossa indústria ainda possui diversos problemas. No momento, grande parte das empresas brasileiras ainda são pequenas e novas e, de acordo com o II Censo da Indústria Brasileira de Jogos Digitais (IBJD), 26,4% delas são informais.

A falta de incentivo e financiamento, além da dificuldade de encontrar mão de obra especializada, são um grande motivo para as dificuldades das empresas. Ainda é muito difícil elas se manterem desenvolvendo somente jogos. Grande parte das desenvolvedoras trabalham com outros produtos ou serviços, além de jogos digitais.

Esse cenário, no entanto, pode estar mudando. Segundo um estudo feito pela Visa, bandeira de cartões de crédito, em 2020 as compras feitas em consoles e plataformas de games aumentaram 140% no Brasil, provavelmente devido ao isolamento social. Demais pesquisas, como as da Newzoo e da Pesquisa Game Brasil, ressaltam as expectativas de crescimento do mercado de jogos no Brasil. Ou seja, esse é um setor que só tem a evoluir, principalmente se levarmos em conta o crescimento da utilização de games por empresas, por motivos educacionais ou publicitários: os chamados jogos sérios.

Evento do mercado de jogos na América

Foto do Big Festival, um dos maiores eventos de jogos da America Latina (Fonte: BigFestival)

COMO SE INSERIR NO MERCADO DE JOGOS?

Agora que você já tem uma ideia melhor de como é o mercado de jogos, podemos focar no que é necessário para entrar nessa indústria. Há muitos caminhos que levam à carreira em jogos, mas, independente do que você escolher seguir, uma coisa é certa: é importante ter dedicação e paixão pelo que você faz.

Nas palavras do professor da graduação de jogos digitais da ECDD, Cleber Freitas, “o principal ponto é: ame o que você faz! Na área de jogos isso se faz ainda mais importante, a meu ver.”

Claro, só amor não é o suficiente para conseguir um emprego. Também é importante investir tempo e estar disposto a aprender várias técnicas e habilidades necessárias para ter sucesso na área.

Reconhecimento e portifólio

Não importa se você seguir uma carreira independente ou atuar para uma empresa já estabelecida, você precisará trabalhar no seu nome. Ser reconhecido por seu trabalho é fundamental no mercado de jogos. Seu nome é a sua marca e permitirá que você encontre empregos, colaboradores e, mais importante, clientes.

Para isso, é importante que você possua um portfólio de qualidade, que reflita suas habilidades e interesses. Conhecer outros profissionais da área também é um grande diferencial. Eventos como game jams ou até cursos de jogos são uma ótima forma de conseguir contatos e experiência.

Imagem promocional de game

Ilustração do jogo Deathbound, desenvolvido pela TrialForge Studio. (Fonte: Trialforgestudio.com)

As diferentes áreas no mundo de games

Um portfólio grande e versátil é favorável e demonstra sua capacidade de se adaptar às necessidades de cada projeto, mas isso não quer dizer que ele não deve seguir uma linha. Não esqueça que seu portfólio é sua forma principal de mostrar sua especialidade e foco. O professor Cleber afirma:

Algo muito importante para quem está querendo entrar no mercado de trabalho na área de games é saber identificar o que você quer fazer. Vejo várias pessoas falando que querem "viver de jogos", mas saber em que área do desenvolvimento de jogos você quer trabalhar que é o "x" da questão. Acredito que a maior dica que posso te dar hoje é essa: conheça as diferentes áreas de jogos, veja o que cada profissional faz no seu dia a dia dentro das suas respectivas áreas e veja se isso é o que você se vê fazendo por horas. Escolhida a área que você deseja trabalhar, dedique-se a ela, produza materiais nessa área.

- Cleber Freitas, professor do Infnet

Saber em qual setor do mercado de jogos você quer trabalhar não é o suficiente, é preciso decidir qual papel você pretende ter em uma equipe.

Só no setor de Produção e Talento, podemos destacar algumas funções essenciais para qualquer jogo. São elas programador, artista, designer, roteirista, designer de som e, por fim, um produtor para liderar o time. Dependendo do tamanho do jogo e da equipe, os cargos podem ser mais específicos, assim como o número de responsáveis por cada área. No lugar de um único artista, por exemplo, podemos ter um designer de personagem, um artista de ambiente, um animador, um designer de interface, etc.

Jogos são fundamentalmente interdisciplinares e, por isso, todas as funções são igualmente importantes. Tente comparar a diferença entre um jogo de terror com e sem som ou imagine se todos os objetos no seu RPG favorito fossem quadrados sem cor. A qualidade fica bem pior, não é?

Equipe produzindo um jogo digital

Equipe trabalhando junta no design de um jogo. (Fonte: FutureLearn)

Dividindo seu talento com o mundo

Beleza, você já sabe o que quer fazer e está trabalhando em um portfólio diferenciado. É aí que vem seu próximo desafio: como fazer com que as pessoas encontrem seus projetos? Ou seja, como atrair um público?

A primeira coisa que você precisa ter em mente é que todos começam pequeno. Você não pode esperar que o seu primeiro projeto fique tão famoso quanto Dark Souls ou The Sims. Wilson Melo, estudante do Infnet e fundador da empresa Vaca Roxa, fala sobre sua experiência:

Eu criei o Vaca Roxa e no início era apenas eu fazendo de tudo um pouco. Peguei alguns freelas de arte para jogos, então fazia UI, sprites, cenários e algumas animações. Depois foi começando a aparecer alguns projetos maiores e consegui fechar alguns contratos de jogos completos.

Wison Melo

Fazer trabalhos freelancer, compartilhar assets em sites como Itch.io, e manter uma marca online através de redes sociais é determinante para qualquer desenvolvedor. Estabelecer uma comunidade, mesmo que pequena, é importante para designers independentes conseguirem apoio e público. Além disso, essas são ótimas formas de melhorar seu currículo caso queira ser contratado por empresas maiores.

Participação em eventos

A participação em eventos, principalmente game jams, é essencial. Nelas, vários desenvolvedores se juntam em times, muitas vezes formados na hora, para criar, desde o conceito inicial, um jogo em um tempo limitado. Normalmente elas duram por volta de 72 horas – um fim de semana -, mas o período depende de cada game jam.

Elas são uma ótima forma de conhecer outros profissionais e ganhar experiência, aprendendo na prática como funciona a produção de um jogo. Também permite que você aprenda a trabalhar em grupo, mesmo tendo conhecido os membros da sua equipe no mesmo dia. A maioria das jams são abertas ao público e incluem desde amadores, que nunca fizeram nenhum projeto, até desenvolvedores experientes.

Grandes nomes do mercado de jogos em 2020

Jogos de sucesso em 2020, Final Fantasy VII (Remake), Cyber Punk 2077 e The Last of Us 2 (Fonte: TopGadget)

VALE A PENA INVESTIR NO MERCADO DE JOGOS?

Criar um jogo exige perseverança e devoção, mas pode ser muito divertido! Você conhece pessoas diferentes e exercita sua criatividade.

O mercado de jogos está cada vez maior e mais lucrativo. Então procure eventos, compartilhe seus projetos, candidate-se para vagas em empresas e continue criando conteúdo.

Mas não esqueça do estudo! Fazer uma faculdade de games faz muita diferença na hora de começar a carreira. Então busque um bom curso de Jogos Digitais que foque tanto na prática quanto na teoria, proporcionando um aprendizado completo. Assim, ao final dos seus estudos, você terá não só o conhecimento necessário para adentrar esse mundo como também um portfólio extenso para te ajudar a começar.

E aí, pronto pra começar sua carreira no mercado de jogos? Ainda tem alguma dúvida?
Deixe seu comentário ou pergunta!

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